Aprendendo a Aprender

Estudar também faz parte

Já mencionei o "Aprendendo a Aprender" no post sobre Pomodoro, e faço questão de citá-lo sempre que possível. O curso, ministrado por Barbara Oakley, além de inspirador apresenta uma série de ferramentas que irão te ajudar a aprender o mais maçante dos conteúdos (e farão bem à sua memória).

O ABBC bem que tentou descrever a tutora:

É difícil definir uma profissão para Barbara Oakley. Ela se formou em Literatura e Línguas Eslavas, trabalhou como tradutora no exército americano, até que decidiu estudar engenharia! Hoje, ela tem um currículo invejável, que passa por disciplinas tão distantes quanto Letras, Engenharia e Biologia. É PhD, professora de Engenharia na Universidade de Oakland, em Rochester, Michigan. Sua pesquisa atualmente se concentra na complexa relação entre neurociência e comportamento social.

É com esse gabarito todo que Barbara, acompanhada de Terrence Sejnowski, dá o curso através da plataforma Coursera, totalmente grátis. Mesmo que você (assim como eu) não tenha a pretensão de virar um estudioso, eu super recomendo!

Abaixo, com ajuda de algumas referências espalhadas pela Web, eu relembro alguns conceitos que aprendi durante as 4 semanas de curso.

Combata a procrastinação

Sair de inércia é um desafio imenso (pelo menos pra mim). Não importa o quão recompensador ou empolgante for a tarefa, meu cérebro entende que ir pro Netflix sempre trará resultados maiores.

É um comportamento comum: Focamos no resultado final, e o resultado final não é fácil de atingir imediatamente. Ao contrário da satisfação instantânea de assistir a um seriado.

A dica é: Foque no processo. Ao invés de "preciso aprender XYZ", prefira "vou dedicar 1 hora aprendendo XYZ, começando por Y". O (supracitado) Pomodoro Technique pode te ajudar com isso.

E Lembre-se: "Um pouco" é melhor que nada.

Aprenda de forma ativa

Procure relembrar! Nem só ler, ou copiar, ou ainda usar "caneta marca texto". Quantos livros você já leu e tava tão focado em acabá-lo que semanas depois não era mais capaz de lembrar dos detalhes da trama?

Absorver o conteúdo de forma passiva é outra "traquinagem" do nosso cérebro. A sensação de progresso é reconfortante, mas outra vez estamos cometendo o pecado de focar no resultado final e não no processo.

A dica é: Relembre. Explique o que você acabou de aprender para você mesmo ou algum amigo. Relembre as principais ideias em um lugar diferente daquele no qual você costuma aprender.

E por mais clichê que possa parecer, teste os seus conhecimentos. Isso será crucial para que você seja capaz de revisitar pontos dos quais ainda possui dúvidas.

"Indexe" o conteúdo que você está aprendendo

Para aprender a tocar uma música, é mais fácil separá-la em partes (intro, verso, refrão, etc) e praticar parte por parte, até que você seja capaz de "amarrá-las" e tocá-la por inteiro.

Podemos usar a mesma analogia (e fazer analogias é uma boa ferramenta para entender conteúdos) para o processo de aprendizado como um todo: É mais eficaz quebrarmos um determinado tema em conteúdos menores e iterativamente aprendê-los.

Voltando ao exemplo da música. Quando estamos aprendendo a tocar o refrão nossa memória de curto prazo (que tem pouco poder de armazenamento) é completamente preenchida pelos acordes que o compõe. Através da repetição, conseguimos "dar significado" àquele bloco até chegar o momento em que não pensamos mais nos acordes em si, e sim no "bloco como um todo".

Trazendo pro lado da TI, é quase como "zipar" o conhecimento e indexá-lo em um banco de dados (que seria a nossa memória de longo prazo) através de uma chave que faça muito sentido para nós.

A dica é: Use analogias para dar maior significado a um determinado assunto. Separe o conteúdo em pequenos grupos e aplique o processo de aprendizagem para cada um.

E não envergonhe-se de técnicas como "bem/mal, bom/mau".

Aprenda de forma espaçada

Por mais surpreendente que possa parecer, estudar 10 horas num dia não vai te deixar mais preparado para uma prova que ocorrerá no dia seguinte, do que estudar 1 hora em 10 dias. Isso segundo Douglas Fields, que propõe que através de aprendizagem espaçada a informação entra de maneira mais fácil na memória de longo prazo.

Além disso, seu cérebro precisa de descanso. Estudar horas a fio ou negligenciar noites de sono pode trazer malefícios à saúde e principalmente ao seu processo de aprendizagem. É através do sono, por exemplo, que o seu cérebro passa por um "período de manutenção", eliminando toxinas, fortalecendo memórias importantes e descartando as menos importantes.

Cursos de algorítmos do Coursera te farão querer afundar a cara nos livros (blogossus.com)

E quando você faz uma pausa, o cérebro entra no famigerado "modo difuso". Que pode ser (vulgarmente) explicado como ele trabalhando em segundo plano para construir novos padrões neurais, ajudando-o a resolver problemas complexos, ter novas ideias ou entender algo melhor.

A dica é: Ao invés de estudar 5 horas nas quartas-feiras, estude 1 hora 5x na semana. Descanse, faça pausas durante os estudos (olha o Pomodoro aí de novo), pratique exercícios, caminhe e quebre a rotina.

E não subestime os "eurekas" durante o banho.

Tenha a sensação de progresso

Você não sobe numa esteira sem saber quantos quilômetros ou minutos vai ficar correndo nela, certo? (Certo?)

Seu cérebro sente-se premiado com a sensação reconfortante do progresso. E embora exista o risco de cair nas armadilhas dos dois primeiros tópicos, entender onde você quer chegar e saber o quanto você já caminhou é fundamental para se manter motivado.

A dica é: Pense de onde você veio e aonde quer chegar estudando determinado assunto. "Trackeie" o seu progresso. Faça as coisas mais difíceis primeiro, a realização delas te dará motivação para seguir em frente.

Ter a sensação de progresso é um fator motivante. Não o subestime.

Considerações finais

Eu recorri ao curso após falhar duas vezes seguidas nos testes de uma determinada especialização do Coursera. É bem verdade que algumas das técnicas acima são bem conhecidas, mas eu nunca tive a noção do quanto elas (através de uma forma pragmática) podem auxiliar no processo de aprendizagem de diferentes assuntos.

Inclusive, esse artigo faz parte do meu processo de chunking apresentado pelo próprio "Aprendendo a Aprender". É algo que costumo fazer com frequência: Ao aprender um conteúdo novo, eu escrevo sobre e compartilho. Isso me motiva a fazer uma pesquisa maior e me faz relembrar conceitos, "fixando" melhor o assunto.

Vários pontos importantes não foram abordados nesse post (como construção de redes neurais, diferença de memória de curto e longo prazo, como fazer chunking, aspectos visuais da memória e como tirar proveito disso, palácio das memórias, etc), portanto saliento uma vez mais: Não deixe de conferir o curso no Cousera.

Aproveite também para conferir o bom artigo da Cindy Dalfovo no Medium.

Obs.: Não li o livro (de mesmo nome e autor), mas está bem avaliado na Amazon.

#ficadica

Referências